Na Ilha Terceira, a Alcatra não é apenas um prato, é uma celebração da identidade, da partilha e do tempo. Nascida das antigas festas do Espírito Santo, esta iguaria surgiu como oferenda comunitária, preparada em honra da fé e partilhada entre vizinhos, parentes e amigos.
Com o passar dos séculos, saiu do âmbito religioso para se tornar presença obrigatória nas mesas terceirenses, unindo gerações em torno do forno de lenha e do alguidar de barro.
Mais do que uma receita, a Alcatra é uma história servida em barro: a história da Ilha Terceira e das suas gentes, contada com tempo, sabor e alma.
Da oferenda do Espírito Santo à mesa de reis, e daí a Património Cultural Imaterial dos Açores — a Alcatra atravessou a história da Terceira sem mudar de alguidar.
A Alcatra serviu também régios paladares, os do Rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia, que, durante a sua visita ao arquipélago dos Açores em 1901, passaram pela ilha Terceira, onde lhes foi oferecido, no Paúl, um almoço de Alcatra.
A Alcatra sai dos impérios e instala-se nos lares. Passada de mãe para filha, a receita vai-se afinando em cada freguesia — cada casa guarda o seu segredo, cada mestra imprime a sua mão no tempero.
A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo reconhece oficialmente a Alcatra Regional da Ilha Terceira como Património Cultural Imaterial, no Domínio de Processos e Técnicas Tradicionais — um legado vivo transmitido de geração em geração.
Desça pela página e acompanhe a receita como quem a prepara: cada ingrediente é colocado pela mão da mestra, camada a camada, até o forno de lenha fazer o resto.
Cubra todo o fundo do alguidar com cebola e alho picada, formando a primeira cama aromática. É sobre esta base que a carne e o toucinho se vão assentar.
Distribua lâminas de toucinho fumado sobre a cama de cebola e alho. No longo cozimento, a sua gordura derrete-se e embebe tudo o resto. É a memória do fumeiro terceirense a entrar no prato.
Coloque a carne de vaca no alguidar e vá alternando com mais cebola, alho, folhas de louro e toucinho. Camada a camada, a carne ganha companhia. Cada pedaço abraçado pelos aromas da ilha.
Tempere entre as camadas com cravinho, pimenta em grão e sal q.b.. Especiarias que atravessaram oceanos para se encontrarem na mesa terceirense e tornar a Alcatra inconfundível.
No fim regue a carne com vinho, o suficiente para cobrir os pedaços sem encher o alguidar. É o caldo que vai cozer tudo devagar, sem nunca transbordar.
Tampe o alguidar e leve-o ao forno. Em lume moderado, deixe cozer lentamente. Horas em que o barro, a lenha e o tempo fazem o trabalho que nenhuma pressa consegue igualar.
Fique atento, quando a carne estiver tostada na parte de cima, retire o alguidar do forno e vire os pedaços do avesso. Volte a levar ao forno até a carne se desfazer ao toque do garfo. Por fim, hora de servir.
Sente-se à mesa e descubra a Alcatra da Ilha Terceira. Escolhemos os restaurantes onde o sabor autêntico e a tradição se mantêm vivos.
Durante um mês, os restaurantes participantes servem a sua versão da Alcatra. Cada um com a sua assinatura mas simultaneamente cada um fiel às origens da história da Alcatra da ilha Terceira, da sua importância cultural e xxxx.
De 5ª às 6ª feiras das 12h00 às 22h00. Fechado à 4ª feiras
Todos os dias das 12h00 às 15h00 e das 19h00 às 23h00. Fechado às 2ª feiras ao almoço.
Todos os dias das 12h00 às 15h00 e das 19h00 às 23h00. Fechado às 2ª feiras ao almoço.
Prove séculos de cultura, fé e partilha num só alguidar. É o calor do forno, o aroma da lenha, o sabor profundo que só o tempo pode criar — e o abraço da hospitalidade terceirense.